A gigante taiwanesa de semicondutores, TSMC, continua sua trajetória de crescimento imparável, registrando mais um trimestre histórico que serviu para reanimar a confiança dos investidores na inteligência artificial. Com um salto de 35% nos lucros, os resultados divulgados nesta quinta-feira parecem ter dissipado, ao menos momentaneamente, os rumores de uma “bolha” no setor que circulavam nos últimos meses. O desempenho robusto da empresa não apenas superou as expectativas de Wall Street, mas também funcionou como um catalisador para uma recuperação mais ampla nos mercados de ações dos Estados Unidos e da Europa.
Números que superam expectativas
No detalhe financeiro, o grupo reportou um lucro líquido de 505,7 bilhões de dólares taiwaneses — o equivalente a cerca de 16 bilhões de dólares americanos — apenas no trimestre encerrado em dezembro. A receita trimestral atingiu 33,1 bilhões de dólares, contribuindo para que o faturamento anual rompesse a barreira simbólica dos 100 bilhões de dólares pela primeira vez em 2025. Esse marco sublinha o papel central da companhia na nova economia digital.
Analistas classificaram como “impressionante” a margem bruta de 62,3% obtida no quarto trimestre, um número que superou largamente as previsões, especialmente considerando que o negócio continua escalando para nós de produção mais avançados. Olhando para o futuro, a empresa projeta um crescimento de receita próximo a 30% para 2026, bem acima da média esperada pelo mercado, sinalizando que a demanda por IA permanece aquecida. A TSMC também confirmou o aumento das despesas de capital para o próximo ano, reforçando sua aposta na continuidade desse ciclo de alta.
Euforia no setor de tecnologia e financeiro
A reação das bolsas foi imediata. O relatório otimista reavivou as esperanças em torno do comércio ligado à IA, fazendo com que as ações da Taiwan Semiconductor subissem mais de 4%. O efeito contágio foi positivo para todo o ecossistema: papéis da Nvidia e da Advanced Micro Devices (AMD) avançaram cerca de 2%, enquanto na Europa, a ASML — fornecedora chave de maquinário para a indústria — viu suas ações saltarem 7,6%, elevando sua capitalização para mais de 500 bilhões de dólares.
O otimismo, contudo, não ficou restrito à tecnologia. O setor bancário também desempenhou um papel crucial na alta dos índices americanos na quinta-feira. Goldman Sachs e Morgan Stanley reportaram resultados trimestrais sólidos, superando estimativas. As ações do Goldman subiram mais de 4%, enquanto o Morgan Stanley avançou quase 6%. Esse movimento conjunto de bancos e chips ajudou o S&P 500 e o Nasdaq Composite a subirem cerca de 0,3%, com o Dow Jones ganhando 0,6%. As small-caps lideraram os ganhos, com o Russell 2000 subindo quase 0,9%.
Acordos comerciais e expansão nos EUA
O cenário corporativo positivo ocorre em meio a movimentações geopolíticas significativas. Como parte de um amplo acordo comercial com Washington, empresas de tecnologia de Taiwan se comprometeram a investir pelo menos 250 bilhões de dólares em capacidade produtiva nos Estados Unidos. Em contrapartida, os EUA reduzirão as tarifas sobre importações taiwanesas de 20% para 15%, além de eliminar taxas sobre outros produtos, como farmacêuticos genéricos. O Secretário de Comércio, Howard Lutnick, confirmou que a TSMC já adquiriu terrenos e pode expandir suas operações no Arizona como parte desse tratado.
Tensões globais e cautela dos investidores
Apesar do alívio trazido pelos lucros corporativos, o ambiente global permanece complexo. O preço do petróleo recuou após o presidente dos EUA, Donald Trump, indicar que poderia adiar ataques ao Irã, diminuindo um risco imediato. Por outro lado, tensões diplomáticas surgem no Ártico, com várias nações da OTAN enviando tropas para a Groenlândia para exercícios conjuntos. A movimentação ocorre após discussões tensas sobre propostas dos EUA para adquirir o território dinamarquês, o que gerou desconforto entre parceiros europeus.
Mesmo com os ganhos de quinta-feira, os investidores mantêm a cautela ao se aproximarem do fim de uma semana agitada. Os principais índices americanos ainda caminham para fechar a semana no negativo, com o S&P 500 acumulando queda de cerca de 0,3% e o Nasdaq recuando 0,6% no acumulado semanal, enquanto o mercado futuro sugere uma abertura levemente positiva para a sexta-feira. O banco suíço UBS alerta que 2026 deve ser um ano de maior volatilidade do que o anterior, recomendando diversificação aos investidores de renda.