A volta do cobiçado 1% ao mês O recente aumento da taxa básica de juros pelo Copom reacendeu o brilho da renda fixa no Brasil. Com a Selic agora estacionada em 12,25% ao ano, o mercado celebra o retorno do famoso rendimento de 1% ao mês. Montar uma carteira rentável neste cenário exige estratégia e capacidade de decisão, fugindo de escolhas aleatórias. Especialistas alertam que até mesmo os tradicionais títulos públicos embutem riscos que podem não se alinhar a todos os perfis. A diligência virou a palavra de ordem na hora de garimpar oportunidades.

Estratégias na dívida pública Olhando para a prateleira do Tesouro Direto, os papéis pós-fixados saltam aos olhos de imediato. O Tesouro Selic passa a entregar um retorno muito próximo do sonhado 1% mensal, rendendo cerca de 0,97% ao mês. Camilla Dolle, head de renda fixa da XP, enxerga essa opção como ideal principalmente para a reserva de emergência, graças à combinação de alta liquidez e rentabilidade expressiva.

Apesar dessa vantagem, investidores com foco no longo prazo podem encontrar um porto mais seguro no Tesouro IPCA+. Esse título é a principal aposta da XP por oferecer um retorno real superior a 7%, blindando o capital contra a inflação para quem carrega o papel até o vencimento. Sharon Halpern, sócia da Blackbird Investimentos, aponta que esses ativos também atraem quem tenta antecipar uma futura queda nos juros, buscando lucrar com a valorização do título em uma eventual venda antecipada. Tentar acertar o momento perfeito de entrada, contudo, é uma tarefa árdua. O juro real na casa dos 6% ou 7% raramente foi visto na última década, e a alocação deve respeitar a estratégia individual de cada um.

Os títulos prefixados exigem um pouco mais de estômago. Eles naturalmente oscilam com mais força, especialmente em um ambiente doméstico marcado por incertezas fiscais e pela expectativa em torno das políticas da nova gestão de Donald Trump nos Estados Unidos. Diante dessa nebulosidade, a recomendação unânime para quem opta por travar a taxa é focar em vencimentos mais curtos, minimizando a exposição ao risco.

O desafio do crédito privado brasileiro Buscar retornos turbinados geralmente leva o investidor ao mercado de crédito privado, explorando debêntures, CRIs e CRAs. O problema atual reside nos prêmios baixos pagos por esses ativos, um panorama que não dá sinais de mudança expressiva para 2025.

Jefferson Honório, sócio da Brio Investimentos, lembra que muitas empresas tomaram dívidas corporativas no início do ano passado apostando que os juros cairiam. A realidade bateu à porta de forma dura. Com a Selic subindo, essas dívidas encareceram rapidamente. O mercado corporativo atravessa agora um ciclo bastante desafiador, exigindo do investidor uma lupa muito mais potente antes de emprestar dinheiro a qualquer companhia.

Diversificação e renda em dólar com fundos fechados Enquanto o investidor calibra o risco na renda fixa local, o mercado internacional oferece vias consolidadas de geração de renda para diversificar a carteira. A Invesco Ltd., uma gigante global na gestão de ativos com US$ 2,1 trilhões sob seu guarda-chuva até o final de 2025, acaba de anunciar a distribuição de dividendos mensais para uma ampla gama de seus fundos fechados.

Esses veículos, negociados no mercado americano, abrangem diversas estratégias focadas em renda fixa e títulos isentos. Entre os destaques em valor por cota, o Invesco High Income Trust II (VLT) distribuirá US$ 0,0915, seguido pelo Invesco Value Municipal Income Trust (IIM), que pagará US$ 0,0771. O Invesco Trust for Investment Grade New York Municipals (VTN) anunciou proventos de US$ 0,0685.

A lista de distribuições mensais, que se manteve estável em relação aos pagamentos anteriores, cobre diferentes exposições. O Invesco Pennsylvania Value Municipal Income Trust (VPV) e o Invesco Bond Fund (VBF) pagarão US$ 0,0667 e US$ 0,0665, respectivamente. Fundos focados em dívidas municipais com grau de investimento, como o VGM e o VCV (focado na Califórnia), distribuirão US$ 0,0646 cada. Completam os anúncios os fundos IQI (US$ 0,0631), VKQ (US$ 0,0628), VMO (US$ 0,0625), VKI (US$ 0,0559), o focado em empréstimos sêniores VVR (US$ 0,0380) e o OIA (US$ 0,0291).

Regras e transparência nas distribuições americanas O pagamento desses proventos segue regulamentações rigorosas. Quando uma distribuição inclui valores que vão além da receita líquida de investimentos, a Invesco emite um aviso detalhado baseado na Seção 19 da Lei de Sociedades de Investimento de 1940. Esse documento cumpre uma função estritamente informativa e não substitui os relatórios fiscais oficiais.

A classificação definitiva dos impostos sobre os pagamentos realizados ao longo de 2026 só será consolidada após a virada do ano. Os acionistas receberão o Formulário 1099-DIV, que reportará as distribuições para fins de imposto de renda federal nos Estados Unidos. O valor dos dividendos pode variar de acordo com as condições econômicas, e resultados passados nunca garantem pagamentos futuros. A distribuição desses produtos de varejo no mercado americano é conduzida pela Invesco Distributors, Inc., operando em conjunto com a consultoria de investimentos Invesco Advisers, Inc., ambas sustentadas por uma estrutura global que emprega 8.300 funcionários em mais de 120 países.