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Brava Energia acelera expansão com aquisição de US$ 450 milhões e avança em disputa pelo campo de Papa-Terra

A Brava Energia (BRAV3) vive um momento de forte movimentação nos bastidores e no mercado. Dias após anunciar uma mudança de comando em sua presidência, a companhia deu dois passos importantes para consolidar sua presença no setor. A petroleira fechou a compra de ativos milionários da Petronas na Bacia de Campos e conseguiu um avanço significativo no processo de arbitragem envolvendo o consórcio de Papa-Terra.

Expansão estratégica na Bacia de Campos

O acordo assinado nesta sexta-feira garante à petroleira brasileira a compra de 50% de participação da malaia Petronas no campo de Tartaruga Verde e no Módulo III do campo de Espadarte. O negócio foi avaliado em US$ 450 milhões. Toda a operação de extração é realizada pelo navio plataforma FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes, que conta com 14 poços produtores ativos. Deste total, 11 ficam em Tartaruga Verde e três em Espadarte, operando sob concessões que têm vigência garantida até 2039.

Os números de produção dão a dimensão exata do negócio para a empresa. Considerando a totalidade dos ativos, a produção média ao longo de 2025 bateu a marca de 55,6 mil barris de óleo equivalente por dia, um volume composto em sua esmagadora maioria por óleo.

Detalhes do pagamento e prazos regulatórios

A engenharia financeira da aquisição já está definida pelas partes. A Brava fará um desembolso inicial de US$ 50 milhões na data de assinatura do contrato. A maior parte do pagamento, na ordem de US$ 350 milhões, será quitada no fechamento da transação, embora esse valor ainda possa sofrer ajustes com base na data efetiva do negócio, fixada retroativamente em 1º de julho de 2025. O saldo restante será dividido em duas parcelas de US$ 25 milhões cada, com vencimentos programados para 12 e 24 meses após a conclusão da compra. A expectativa da diretoria é que todo o processo seja finalizado ainda em 2026, dependendo apenas do cumprimento de exigências habituais e do aval de órgãos reguladores como o Cade e a ANP.

Nova liderança e o aquecimento do setor

Toda essa movimentação estratégica acontece em meio a uma transição no topo da hierarquia da empresa. Na segunda-feira anterior ao anúncio da compra, a Brava divulgou que Décio Oddone havia renunciado ao cargo de presidente executivo. Quem assume a operação a partir de 1º de fevereiro é Richard Kovacs, executivo que até então presidia o conselho de administração da companhia.

Kovacs deixou claro no comunicado oficial que a transação reflete a estratégia de diversificar o portfólio da empresa e buscar um retorno ajustado a riscos para os acionistas. Segundo o novo presidente, a companhia vai continuar avaliando de perto oportunidades de revisão de ativos e focando na eficiência da alocação de capital. O cenário atual parece altamente favorável para esse tipo de manobra. O mercado de petroleiras independentes no Brasil anda bastante aquecido e dinâmico. Luiz Carvalho, diretor financeiro que assumiu o posto em novembro passado, já havia sinalizado em um evento com jornalistas em dezembro que a empresa vinha sendo muito procurada por agentes interessados em operações de fusões e aquisições. Ele destacou que o setor se tornou muito mais vibrante, aproveitando o espaço deixado pela menor predominância da Petrobras.

Sinal verde na arbitragem de Papa-Terra

Seguindo a mesma lógica de organizar o portfólio e resolver pendências estruturais, a Brava também comunicou novidades sobre um imbróglio jurídico importante. No dia 15 de fevereiro de 2026, a empresa obteve uma ordem processual favorável à sua subsidiária, a 3R Petroleum Offshore, no processo de arbitragem movido pela Nova Técnica Energy (NTE).

A decisão judicial autoriza a 3R Offshore a dar andamento imediato nos trâmites necessários para assumir a fatia de 37,5% que pertencia à NTE no consórcio do Campo de Papa-Terra. Isso envolve, na prática, realizar as devidas transferências perante a ANP e outros órgãos competentes do governo. A liberação processual, no entanto, não é absoluta e veio acompanhada de condições restritivas estabelecidas pelo Tribunal Arbitral, que valem até o julgamento final do mérito. A 3R Offshore fica proibida de vender ou repassar essa nova participação para terceiros, e a decisão atual permanece legalmente reversível. Nos termos da Resolução CVM nº 44, a Brava reiterou seu compromisso de manter os investidores informados sobre o desfecho do caso, em total alinhamento com as práticas de governança corporativa.