O nosso preço-alvo da 24/7 Wall St. para a Netflix (NASDAQ: NFLX) está cravado em US$ 327,08, bem acima do patamar atual após o reset brutal que vimos em abril. Com os papéis sendo negociados na casa dos US$ 87,56, estamos falando de um upside agressivo de 273,55% — e sim, a nossa recomendação é de compra. O nível de convicção nessa call é de 90%. Esse otimismo reflete um consenso forte dos analistas, lucros ganhando tração e um perfil de lucro por ação (EPS) futuro que o mercado parece estar precificando errado depois do tombo recente pós-balanço.

É inegável que a Netflix passou por maus bocados recentemente. As ações derreteram 15,12% no último mês, acumulando perdas de 6,61% no ano e 23,09% nos últimos doze meses. Hoje, o papel amarga um desconto de 15% em relação à sua máxima de 52 semanas, que foi de US$ 134,12. O escorregão ganhou força depois do report do primeiro trimestre de 2026, divulgado em 16 de abril. A receita até bateu o consenso, subindo 16,2% na base anual para US$ 12,25 bilhões, mas o EPS de US$ 1,23 decepcionou as estimativas de US$ 1,34. Detalhe: isso aconteceu mesmo com uma taxa de rescisão da Warner Bros. de US$ 2,80 bilhões inflando a linha de outras receitas. Por outro lado, o guidance de fluxo de caixa livre foi revisado para cima, mirando aproximadamente US$ 12,5 bilhões para 2026, e as assinaturas do plano com anúncios já representam mais de 60% das novas contas nos mercados onde a modalidade está ativa.

O cenário otimista e o peso do “smart money”

Os bulls têm bastante munição para trabalhar a tese. A diretoria reafirmou a projeção de crescimento de receita entre 12% e 14% e uma margem operacional gorda de 31,5% para 2026, com a expectativa de que a linha de negócios de anúncios praticamente dobre, batendo a porta dos US$ 3 bilhões. O número de anunciantes deu um salto de mais de 70% ano contra ano, passando da marca de 4.000 clientes. Lá fora, a região da Ásia-Pacífico entregou um crescimento de receita de 20% puxado pelo World Baseball Classic, que o co-CEO Ted Sarandos coroou como “o programa mais assistido que já tivemos no Japão”. O suporte do sell-side segue firme, contabilizando 37 recomendações de compra ou compra forte contra uma solitária recomendação de venda forte.

E não são apenas os analistas que estão comprando a ideia; os institucionais estão indo às compras e hoje já detêm 80,93% do capital da empresa. A GLOBALT Investments LLC GA, por exemplo, aproveitou o quarto trimestre para aumentar sua posição em absurdos 832,6%. A gestora adicionou 42.255 papéis ao portfólio, fechando o período com 47.330 ações avaliadas em US$ 4,438 milhões. O movimento de ir às compras foi generalizado entre os tubarões: a Checchi Capital Advisers alavancou sua participação em 875,7%, a Contravisory Investment Management subiu a sua em 837,2% e a BNC Wealth Management cravou um aumento de 991,3%. Até a Crew Capital Management Ltd multiplicou sua posição por dez (+1.021,9%). A gigante Vanguard Group, no terceiro trimestre, deu um leve toque de 0,4% na sua fatia, mas agora senta confortavelmente sobre 38.521.322 ações, o que representa um montante de US$ 46,18 bilhões.

Onde a tese pode dar dor de cabeça

O bear case existe, é real e está precificado. Os mercados de previsão embutem uma probabilidade de 61,5% de a NFLX bater nos US$ 85 em maio de 2026, com o sentimento composto marcando um tom bem pessimista de 35,71. Pra completar o quadro de incertezas, os insiders venderam mais do que compraram recentemente. Os co-CEOs Sarandos e Peters se desfizeram de 81.600 e 55.597 ações, respectivamente, no início de maio, liquidando posições entre US$ 87,97 e US$ 92,06. Além disso, a amortização de conteúdo deve atingir o pico no segundo trimestre, a briga por tela com Disney, Amazon, YouTube e TikTok segue voraz e um depósito judicial tributário aqui no Brasil de quase US$ 700 milhões foi empurrado para 2026.

Para ser justo com o management, essas vendas de maio bateram certinho com o cronograma de vesting de ações restritas (RSU) no dia 4 de maio, não sendo exatamente uma saída discricionária — o que deixa esse sinal de alerta um pouco mais brando. No nosso cenário mais feio, o papel iria a US$ 249,21, o que, curiosamente, ainda deixa uma gordura de alta em relação ao preço de tela de hoje. Já no cenário otimista, caso a expansão de margem se consolide e a rampa de anúncios escale de vez, nosso bull case joga a ação para US$ 342,32 em uma janela de 12 meses.

O Veredito: Eu compraria fácil nesses níveis

O nosso preço-alvo da 24/7 Wall St. se mantém em US$ 327,08, a recomendação é de compra e a confiança, repito, é de 90%. O ponto de virada da tese é o gap entre a capacidade real de geração de lucros lá na frente e um múltiplo passado que foi esmagado além da conta. Eu seria comprador nesse patamar se os resultados do segundo trimestre em 16 de julho confirmarem o guidance de 32,6% de margem operacional e a receita publicitária mostrar que está mesmo no trilho dos US$ 3 bilhões. Mas ficaria de fora se as margens escorregarem ou a máquina de anúncios patinar.

No fundo, essas projeções assumem que a Netflix vai continuar girando o motor de receita num ritmo de dois dígitos baixos a médios, enquanto expande a margem operacional ali para a casa dos 35%. Qualquer guinada forte no papel — para cima ou para baixo — vai depender quase que exclusivamente de como eles vão monetizar o tier com anúncios, da execução de eventos ao vivo ou se ocorrer alguma mudança estrutural na linha de amortização de conteúdo.